Trump é ameaçado novamente de impeachment. Democratas planejam ação rápida se 25ª Emenda falhar

No último sábado (9), os democratas norte-americanos começeram a preparar um segundo processo de impeachment contra o presidente Donald Trump, que não dá sinais de renunciar após a ação violenta de seus partidários no Capitólio. Os democratas informaram que o processo de impeachment pode começar na segunda-feira (11) —num ritmo extraordinariamente acelerado de um processo que historicamente leva semanas, mas que pode não ser concluído antes que o presidente eleito Joe Biden tome posse, em 20 de janeiro.

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, alertou que os democratas vão lançar o processo a menos que Trump renuncie ou que o vice-presidente Mike Pence invoque a 25ª Emenda, onde o gabinete destitui o presidente.

Pelosi disse em uma entrevista ao programa “60 Minutes” da CBS, programado para ir ao ar no domingo à noite, que gostou da ideia de invocar a 25ª Emenda “porque isso o livra”, mas explicou, “uma das motivações que as pessoas têm para defender o impeachment é para evitar que Trump volte a ocupar cargos públicos”.

“Há um forte apoio no Congresso para o impeachment do presidente uma segunda vez”, disse ela.

A nova ameaça de destituição ganhou força após a invasão do Capitólio na quarta-feira (6) por apoiadores de Trump, que terminou com cinco mortos, incluindo um policial.

Os democratas da Câmara ainda estão discutindo se a votação para impeachment de Trump poderia ser terça ou quarta-feira, por assessores. Os democratas ainda planejam ir primeiro ao Comitê de Regras da Câmara, que adotaria uma regra definindo o prazo e os parâmetros do debate no plenário. Não está claro quando o Comitê de Regras pode se reunir. Os assessores esperam que o Comitê de Regras se reúna na terça-feira, mas isso ainda não foi definido.

O líder da maioria na Câmara, James Clyburn, disse no domingo que os democratas da Câmara poderiam esperar até depois dos primeiros 100 dias de mandato do presidente eleito Joe Biden para enviar quaisquer artigos de impeachment contra o presidente Donald Trump ao Senado, uma medida que daria ao novo presidente tempo para resolver sua agenda no Congresso antes do início de um julgamento demorado.

Trump, que pediu a seus partidários que se reunissem em Washington na quarta-feira para um protesto contra sua derrota nas eleições de novembro, segue firme, mesmo depois de finalmente postar um vídeo na quinta-feira prometendo tardiamente uma “transição ordenada” para o governo Biden. Mas o presidente também ressaltou que era “apenas o começo da nossa luta”.

Esse tipo de linguagem levou o Twitter a suspender a conta de Trump permanentemente e alimentou as ações dos democratas contra ele.

À suspensão de sua conta no Twitter, @realDonaldTrump, o republicano reagiu em um comunicado na sexta-feira acusando a plataforma de “coordenar com os democratas e a esquerda radical”.

Vários democratas e pelo menos uma republicana — a senadora Lisa Murkowski, do Alasca — pediram que Trump renunciasse e evitasse a confusão de um processo de impeachment em sua última semana completa no poder.

Trump garantiu que não esperava que seus partidários atacassem o prédio do Capitólio, onde o Congresso se reunia para certificar a vitória de Biden, mas apenas pretendia encorajar protestos pacíficos.

Mas em meio ao caos daquele dia, uma apoiadora de Trump foi baleada e morta, legisladores, repórteres e funcionários foram forçados a se abrigar, um policial do Capitólio foi morto e os invasores saquearam e vandalizaram o edifício histórico.

Assim como quando Trump sofreu processo de impeachment em uma traumática votação partidária em 2019 — mas em que terminou sem ser condenado — o processo exige primeiro o apoio da maioria na Câmara de Representantes controlada pelos democratas e, em seguida, para a condenação, a aprovação de dois terços no Senado.

Atingir dois terços pode ser difícil num Senado dividido, mas vários republicanos que há muito apoiam Trump expressaram sua repulsa com os eventos de quarta-feira.

Apoiadores de Trump, incluindo o senador Lindsey Graham, pediram que Biden atue junto aos principais legisladores democratas para impedir o esforço de impeachment.

“Estou ligando para o presidente eleito Biden, para Nancy Pelosi e para o ‘Squad’ para encerrar o segundo impeachment”, disse Graham na sexta-feira à Fox News, referindo-se à presidente da Câmara e a um grupo de quatro jovens democratas progressistas.

Mas Biden evitou, na sexta-feira, a pergunta de um repórter sobre o impeachment. “O que o Congresso decidir fazer é o que deve fazer”, disse ele.

Com o impeachment e a destituição de Trump, mesmo neste estágio final de seu mandato, o Senado poderia posteriormente votar para desqualificá-lo de ocupar um cargo federal novamente, tomando uma ação extraordinária contra um ex-presidente.

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